
Parece que o vereador Juran Carvalho foi diagnosticado com um raro distúrbio linguístico: a Síndrome de Astromar. Os sintomas são claros — compulsão por palavras difíceis que soam como se tivessem sido resgatadas de um baú do século XIX, discursos que mais parecem aulas de filologia e uma convicção clara de que, “quem fala difícil, fala bonito”.
Quem vem assistindo as últimas sessões da Câmara Municipal de Presidente Dutra vê nos discursos do vereador Juran Carvalho, uma clara semelhança aos do professor Astromar, personagem folclórico da novela Roque Santeiro vivido pelo ator Rui Resende; trama que se passa na imaginária cidade de Asa Branca.
Se o Vereador Juran Carvalho não é, na verdade, um personagem perdido de Roque Santeiro, então a realidade política presidutrense acaba de superar a ficção.
Enquanto o lendário Professor Astromar atormentava Zé das Medalhas com pérolas como “estultícia” e “obnubilação”, Juran decidiu que as sessões da câmara precisavam de mais “floreios verbais” e menos propostas concretas. E assim, com a coragem de quem enfrenta um dicionário sem medo todos os dias, ele vem soltando pérolas do tipo, “parlapatão”, “mequetrefe” e a mais recente: “cramunhão”, deixando todos se perguntando: “Isso é um discurso ou um teste de vocabulário do vestibular?”
Infelizmente, não há cura para a Síndrome de Astromar. O paciente pode, no máximo, ser contido com um… “Juran, por favor, fale como um ser humano normal!” — mas a recaída é inevitável. Afinal, como resistir a chamar um adversário de “trânsfuga relapsante” ou a um projeto de lei de “verbosidade inane”?
Mas por que parar por aí, nobre vereador? O Professor Astromar tem um arsenal vocabular pronto para elevar – ou confundir – seus discursos na Câmara Municipal de Presidente Dutra. Que tal, na próxima sessão, Juran chamar um colega de “lépido e fagueiro” ao invés de “folgado”? Ou, diante de uma proposta absurda, gritar: “Isso é uma patacoada de proporções dantescas”!
E se quiser realmente causar alvoroço, pode acusar os vereadores de “fomentar a balbúrdia” com suas “jactâncias” infundadas! — porque, convenhamos, “jactância” soa muito mais sofisticado do que “mimimi”.
Ou, em um rompante poético, declarar: “Senhor presidente, este projeto é “quimérico”, “efêmero” e “inócuo” como um soluço em tempestade”!
Se algum dia Juran ousar chamar algum politico de “entrópico e vesânico”, a presidência da Câmara vai ter que instalar um tradutor simultâneo nas sessões.
E tem mais…
Se ele começar a encerrar seus discursos com “Ponderai, senhores, ponderai!” a câmara vira um auditório de novela das nove.
E se, num ato final de devoção ao Professor Astromar, Juran Carvalho soltar um: “A ignorância é ubíqua, mas a sapiência… ah, a sapiência é ínclita!”, teremos oficialmente fundado a “Escola de Retórica Inútil”.
Minha análise:
Se o vereador Juran Carvalho continuar assim, em breve estará:
1) Propondo um “Dia Municipal do Arcaísmo Linguístico”.
2) Exigindo que todas as moções sejam redigidas em “português dos anos quinhentos”.
3) Encerrando seus discursos com um solene: “Ponderai, ó plebe ignara!”
E concluo minha análise dizendo o seguinte: enquanto alguns vereadores lutam por melhorias na cidade, Juran Carvalho parece lutar pelo retorno do “português de Camões” à política. E, convenhamos, se não podemos ter uma Câmara eficiente, que ao menos tenhamos um “vocabulário extravagante”.
E se um dia ele soltar um “Sublime sandice!”, pedimos que alguém grave e marque o Professor Astromar. Ele vai rir, ou se revirar no túmulo.
A seguir, assista um dos discursos do Professor Astromar em Roque Santeiro.